quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

névoa e herbivoria


Na névoa negra e despida, envolta pela humidade suspensa e latejante e de um clima frio tipicamente montano, o garrano pasta na sua indiferença, no pasto raso e antigamente queimado, mas avança indiferente ao desabar da tarde e à escuridão que se avizinha, é como se a névoa envolvente oferecesse segurança sob um manto transparente mas denso e pontilhado por uma infinita quantidade de gotículas de água. As giestas querem ser árvores e resistem ás condições agrestes da serra alta, querem e algumas até o são de facto, mas as outras árvores já abandonaram o local à muito, deixando para trás o solo agreste e pedregoso atapetado pela vegetação rasa impulsionada pela herbivoria, que assim regenera espécies perdidas e ajuda aquelas em dificuldades, mas se a pressão for demasiada, o solo pedregoso pode voltar a ser uma realidade...
Outra vez dizer que as árvores morrem de pé, e o tronco dos pinheiros queimados permanece ereto e resistente ao passar do tempo e às potentes intempéries ou ao profundo sossego e solidão da montanha.
E nesses tempos passados a descer a encosta para não apanhar a escuridão que avança sob a paisagem a um ritmo veloz, surpreendentemente rápido na névoa cada vez mais densa. Perder-me e encontrar-me é nostálgico, mas na realidade não me perco, apenas me afasto ligeiramente do caminho plausível no descer daquela encosta, mas porque não?
O caminho é frio, mas o coração palpita-se quente e acolhedor pela magia de observar a conjugação dos elementos atmosféricos, astrológicos e geológicos...
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