sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Madeira morta, entrada da xilofagia


Sempre procurei em cada zona florestal, um pedacinho de madeira morta, onde pudesse observar uma microfauna diferente, a chamada fauna xilófaga. Se no outono os cogumelos são os "frutos" de tais madeiras, na primavera, por exemplo, são os invertebrados de diferentes ordens que dominam a xilofagia.
Desde sempre a madeira foi um recurso muito utilizado, pelo que é "inadmissível" a presença de árvores mortas durante muito tempo, e sobretudo fora de áreas protegidas, bem como áreas de "gestão", em resultado disso, rareia, precisamente aquela microfauna que procuro.
Felizmente, já encontrei troncos mortos, em ambiente florestal de Quercus faginea, coisa rara, por estas bandas, e isso sim, é para mim uma preciosidade.
Floresta com árvores mortas, índice de biodiversidade maior!

A imagem acima, retrata, não uma árvore morta tombada, mas antes, morta de pé. Um pinheiro-bravo, que sucumbiu após vários incêndios. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Em breve, (deslumbrante vida selvagem lusitana)

Tenho andado ausente deste espaço desde à muito por várias razões, mas espero poder em breve aqui regressar, e partilhar, tudo aquilo que tenho visto nas terras bravias deste canto oeste da Wild Iberia...

De momento, entre outras coisas, tenho-me debruçado nas diferenças foliares dos diferentes carvalhos da Estremadura. A tenaz persistência do Quercus faginea, e presença fugaz do Quercus pyrenaica. A serra de Sintra é o solar dos carvalhos, uma reunião deslumbrante... etc.
Até breve...

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

castanheiro e o ribeiro


O castanheiro, em solos onde dominava o carvalho-negral, continua a ser um atrativo biodiverso. Os cogumelos são diferentes, bem como a fauna entomológica. A rocha, predominantemente de origem magmática, continua a ser delapidada, para engrossar, estes solos serranos.
Serra da Cabreira 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

ciclo solar, sol pôr na Arrábida


Sempre que desceres, lembra-te, que aqui há terra, lembra-te que encontramos o paraíso calcinado nas rochas puras, encarcerado numa cúpula dura e cristalina, que encerra uma grande forma de cores, que o nosso olho permite sentir, viremos dizer de novo, que estarás de novo aqui amanhã, por volta das sete da manhã, para um clássico novo ciclo, para um novo feito, para repetir as cores de ontem, e a beleza do presente que jamais será esquecida, nem ignorada. Mas depois da tua luz se esvair em tons mais frios, o espetáculo continua, o jogo de formas efémero não para, e a luz perdura cada vez mais ténue, sobre a terra, sob o céu, e sobre o mar...
Por isso lembro-me que aí estarás amanhã, para um novo ciclo solar, e para iluminares o que quer que esteja para sempre iluminado...

                                                                   by Rui Faria, MR

domingo, 9 de outubro de 2016

salamandra-de-pintas-amarelas


Numa pequena cavidade húmida de um penedo na serra da preguiça, esta salamandra abriga-se do dia e da luz brilhante, tentando manter-se escondida, até à chegada da noite ou de uma grande concentração de humidade, aconchegada por entre as hastes das briófitas...

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

os anéis do fogo


 Depois da queima e da carbonização, todo este tronco mudará a sua cor e textura, e se incendiará para sempre com as marcas negras, e dos sulcos do fogo quente, e das chamas em brasa, que consumiram tão alta árvore. Um pinheiro tombado à sua sorte, jaz na encosta, com o seu carvão estalado, dado que foi a única árvore afetada e tombada, aberta e partida, nos veios e anéis que a sustentaram, e alimentaram por dezenas de anos, tão vivo e vibrante ser... Se não fosse uma tempestade, um incêndio era certeza, se não fosse um vendaval uma chuva forte é tarde, mas se uma árvore tem de perecer, que o faça de maneira a que fique lembrada pelos olhares dos ares em volta...


by Rui Faria, MR,...

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Pyrus bourgaena


O catapereiro, a pereira-brava autótone da ibéria mediterrânica, atingindo porte de grande árvore sempre que lhe é permitido, embora não muito frequente, compartilha o habitat com muitas outras plantas mediterrânicas perenifólias em geral, do qual faz parte do sub-bosque. Este da imagem foi encontrado na encosta de um pequeno monte de arenito, algures em A-da-Beja, resistindo por entre uma monocultura de eucaliptos, e invasoras lenhosas como as acácias. De notar a sua resiliência em relação aos fogos, precisamente o que este catapereiro da imagem viveu, à coisa de um, dois anos.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

carvalho gigante da Lousã


Como um velho no jardim, rodeado de crianças e jovens, que ignoram o seu saber, mas fazem parte dele e da sua infância, da sua alma, como um velho que envelhece décadas, sem perder o encanto, absorvendo histórias, resistindo a temporais, revivendo a primavera, respirando a fonte oxigenadora montana, que engalana todas essas árvores jovens, mas que envelhece uma em especial, o velho e antigo carvalho-alvarinho, sem o mimo que necessita, nem da proteção de um solo rico, ou de um aconchego boscoso, mas também de sábios velhos, companheiros, que se tocam, que se exalam, que ricos são,... Mas não, é o carvalho isolado e sozinho, sobrevivendo, e aguentando, como aquele velho sentado, no banco de jardim, à tua espera...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

mosca dunar sem asas!


Esta é a Chersodromia squamata, uma minúscula mosca de apenas 1,5mm, que habita as dunas costeiras um pouco por todo o litoral atlântico. Para um inseto tão pequeno, o seu avistamento não é fácil, mas como outras coisas, quando se avista um, avista-se mais dois, o pior é quando se vê uma destas moscas, e logo se perde o rasto, dado o seu tamanho diminuto, e ainda mais difícil fotografá-la, não gosta muito de lentes. No entanto é de mencionar a sua fantástica adaptação a este meio dunar, no qual se destaca as suas asas minúsculas e não funcionais, tal como as pequenas patas das cobras-de-pernas, por exemplo. Como habita um meio tão ventoso e agreste, parece que as asas quase obrigatórias neste grupo, deixaram de ter utilidade, ou de embaraçar a biologia desta pequena mosca.
Dunas do Guincho...

by Rui Faria, MR...

domingo, 2 de outubro de 2016

cria, rabirruivo, destemida...


Tão pequeno, e tão leve e curioso, que esta pequena ave escura, me deixou nos olhos, e tão perto se aproximou, impávida e serena, qual certo, e qual espanto, qual cria atrevida, que se havia de me aparecer, brilhantemente, por aquela tarde nublada, e pela cerca fechada,... pelo litoral... por perto...


 by Rui Faria